Hip dips: saiba o que são e por que você não deveria se incomodar

Você provavelmente já se sentiu insegura com alguma característica do seu corpo depois de ligar a TV ou acessar as redes sociais. No linguajar popular, o corpo da mulher “gostosa” ganhou até uma expressão própria: o chamado “corpão violão”, uma silhueta que, na teoria, lembra o instrumento — seios avantajados, cintura fina e bumbum redondinho.

Até chegarmos aos dias de hoje, o “corpo feminino ideal” passou por inúmeras transformações, atreladas, principalmente, à sua época, mas sempre cruéis. É que essa busca incansável por um padrão de beleza ignora características individuais de cada corpo, como biotipo, metabolismo e a própria genética, além de poder levar à dismorfia corporal e a transtornos alimentares.

Com o surgimento e a popularidade do movimento “Body Positive” nos últimos anos, muitas internautas passaram a utilizar o termo “hip dips” ou “violin hips” (“mergulhos do quadril” ou “quadril de violino”, em tradução livre) para falar sobre uma característica que, para algumas, pode ser incômoda. Trata-se do afundamento das laterais dos quadris. Cientificamente, essas covinhas são chamadas de “depressões trocantéricas”.

Do ponto de vista ortopédico, os hip dips não apresentam nenhum risco à saúde. O incômodo é apenas estético. “Algumas pessoas acumulam menos gordura nas depressões trocantéricas, e isso dá uma aparência mais marcada. Outra causa também pode ser a forma com que os músculos se distribuem ao redor do quadril”, explica o médico ortopedista Dr. Alexandre Guedes, membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia.

De acordo com ele, a presença dessas pequenas “imperfeições” pode variar de pessoa para pessoa, a depender de fatores como largura dos quadris, formato do osso do quadril e quantidade de tecido adiposo muscular na região. Receberam esse nome por ficarem próximas à extremidade do fêmur, trocanter, e são mais comuns em mulheres.

E como corrigir?
O conceito de beleza é algo subjetivo. Por isso, trabalhar a autoestima pode ser o primeiro passo para lidar com algumas frustrações. “A busca incessante pelo padrão de beleza gera prejuízos à saúde mental, começando pela comparação e passando para a baixa autoestima e a insegurança. Esses sentimentos podem provocar ansiedade, depressão, transtornos alimentares, compulsões, vícios e até dependência”, pontua a psicóloga Larissa Fonseca.

Treinos
O Brasil é o segundo país que mais realiza cirurgias plásticas em todo o mundo, atrás somente dos Estados Unidos, revelam dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS, na sigla em inglês). Mas o bisturi nem sempre é a única solução.

Como já mencionado, atividades físicas intensas, com alta queima de gordura corporal, podem acentuar os hip dips, e por isso, é importante trabalhar com a mesma intensidade que se trabalha glúteos e coxas as laterais dos glúteos.

A personal trainer cita alguns exercícios que podem ajudar a tonificar a região; veja abaixo. Mas, antes de mais nada, vale destacar que os resultados podem levar tempo e que, além da prática de exercícios físicos, é preciso manter uma dieta equilibrada e hábitos saudáveis.

Cirurgia plástica
Mas a correção mais assertiva continua sendo a lipoenxertia, que é o preenchimento da região com gordura do próprio paciente. “O procedimento é determinado pela retirada da gordura de uma parte específica do corpo, com a inserção da mesma gordura na lateral glútea. O bumbum ganhará forma, com mais firmeza e volume. A gordura é retirada do abdome, cintura ou costas”, esclarece o cirurgião plástico André Eyler.

“É válido ressaltar que a correção da depressão trocantérica com implante de próteses de silicone não é recomendada, pois não é direcionada para a correção do desnível na lateral glútea. O local da prótese nos glúteos é único e intransponível. Não se pode colocar a prótese na lateral glútea, ou onde desejar de maneira aleatória”, completa o médico.

Não há nada de errado em se incomodar com alguma característica do próprio corpo, mas há algumas situações em que isso deixa de ser saudável e se torna um ponto de atenção. “Estabelecer limites é algo difícil para um indivíduo fazer sozinho. Quando alguma coisa está realmente desconfortável e incomodando constantemente, talvez seja o momento para buscar um psicólogo”, finaliza a psicóloga Larissa.

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